Moça com brinco de pérolas

O quadro Moça com brinco de pérolas é uma obra prima do pintor holandes Jan Vermeer. Vermeer viveu no Séc. XVII e seus poucos quadros são muito admirados pelas cores transparentes, composições e uso da luz. Foi esquecido por muito tempo…

Tracy Chevalier escreve, em 1999, o livro “Moça com brinco de pérola”, que transpõe ao expectador uma narrativa fantástica em torno do quadro de Vermeer. Trata a história e a arte do pintor holandes e da suposta “Moça” com tanta paixão e beleza, que seu livro foi logo transformado em filme.

mocabrinco04

O filme dirigido por Peter Webber em 2003 tem Scarlett Johansson e Colin Firth no elenco. O roteiro, adaptado do livro homônimo, trata de uma jovem camponesa que tenta salvar família indo trabalhar na casa do pintor Vermeer. Griet, dentre suas inúmeras funções é a criada responsável pela limpeza do atelier do pintor, e logo foi ganhando sua confança por ser muito inteligente e delicada.

Vermeer passa então a ensinar a moça a preparação de tintas, composição, aguçando mais ainda seu olhar para as artes e aumentando a cumplicidade dos dois, suma sensualidade palpável.

A fotografia do filme é fantástica, trata as cores como os tons das pinturas barrocas, uma atmosfera sublime mesclando sensualidade e inspirações num romance tenso e fulminante. Recebeu indicação no Oscar por Fotografia, Direção de Arte e figurino…

Scarlett Johansson está perfeita no papel, acredito que outra atriz não seria tão compatível, tanto com a estética da obra de arte, quanto com o teor dramático da personagem.

Enfim, um dos meus quadros preferidos, um dos meus livros preferidos e um dos meus filmes preferidos…

Scarlett Johansson

Sob o Sol de Toscana

Pensei em escrever sobre um filme triste, mas, resolvi seguir o exemplo da minha melhor amiga e falar sobre o filme Sob o Sol de Toscana (2003), porque esse filme para ela faz bem em momentos dificeis… espero que faça bem para todos…

sobosol

O filme tem direção de Audrey Wells, que acerta na mão com um filme alto astral e uma fotografia impecável.

Frances Mayes é a protagonista vivida por Diane Lane, uma escritora de San Francisco que depois de uma desilusão e de sua separação do marido, ganha um presente de sua amiga lésbica. O presente é uma viagem para Toscana, em uma caravana, porém, em um impulso, Frances decide se mudar para Toscana, comprando um aconchegante chalé, que precisa de reformas.

SOS115-2008-01-20-15 36 02_800_1

Durante a reforma de seu novo lar, Frances passa por aventuras, surpresas, faz novas amizades e vive um romance que a faz sentir viva.

O filme faz o espectador viver uma redescoberta de Frances, uma experiencia incrível repleta de esperança que transforma a vida de uma mulher. São momentos e paisagens expetaculares, que nos faz apaixonar por uma simplicidade encantadora.

webc8038

Uma irresistível viagem, que todos tem vontade de fazer… o filme tinha tudo para ser deprê, e dá a volta por cima, de uma forma intensa e verdadeira.

A viagem de Chihiro

Percebi que vez alguma escrevi sobre uma animação, e nada melhor do que começar com “A viagem de Chihiro” (Sen to Chihiro No Kamikakushi, 2001),  filme japonês, ganhador do Oscar de animação (entre outros prêmios) e dirigido por Hayao Miyazaki. Talvez, esse seja o post mais difícil que escrevo porque o filme trata de uma trama complexa com personagens atípicos e dotados de simbologias.

chihiro1

O filme conta uma história fantástica de uma menina de 10 anos, Chihiro, menina mimada e que está muito chateada porque seus pais resolveram mudar de cidade. Durante a viagem de “mudança” seu pai pega um atalho na estrada que acaba em um túneo. Eles atravessam o túneo (a contra gosto de Chihiro) e se deparam com um lugar mágico, inabitado e cheio de restaurantes.

O lugar era um “refúgio” para espíritos, e quando eles chegam é Haku que salva a menina Chihiro, enquanto seus pais viram porcos… Haku leva Chihiro para trabalhar para a feiticeira, na casa de banhos para espíritos… com isso, Chihiro vive várias experiencias fantásticas e acaba aprendendo a valorizar o sentimento de amor e amizada que conhece…

Uma produção sublime, feito quase todo a mão e pincel…

Uma história sensível e impressionante, que trata de uma forma única uma história fantástica sobre o descobrimento do amor e sobre o crescimento de uma adolescente… o enredo com personagens enigmáticos e bem construídos faz de “A viagem de Chihiro” um clássico, que muitos críticos tratam como “a Alice japonesa”.

Enfim, é uma obra de arte imperdível!!!

Lost in translation

“Encontros e desencontros” (Lost in translation, 2003) é outro filme que está na lista deste blog há um tempo…

Escrito e dirigido por Sofia Coppola, tem no elenco a queridinha Scarlett Johansson e Bill Murray, que concorreu ao Oscar de melhor ator por esse filme.

O enredo do filme trata de um sentimento de solidão na multidão. Charlotte (Johansson) mudou pro Japão com o marido, que trabalha muito e a deixa sozinha o dia todo. Olhava Tóquio agitada e colorida pela janela e só fazia esperar tediosamente.

Enquanto isso, o astro de cinema Bob Haris (Murray) está no Japão para um comercial de wisky… Bob está em crise consigo mesmo, em crise com a mulher e sofrendo de insônia. Conhece Charlotte por acaso no elevador, e sorri.

lost-in-translation1


Os dois estranhos logo se aproximam, inevitavelmente, e deixam a apatia de suas vidas de lado, juntam-se para explorar Tóquio enquanto se conheciam, se descobriam e se encantavam, um com o outro…

Um encontro com uma pessoa especial fadado há durar pouco tempo…


A trama explora oportunidades, descobertas e diz muito sobre os sentimentos contemporâneos sem precisar utilizar muitas palavras. O filme traduz de uma forma sublime o sentimento de solidão e melancolia das grandes metrópoles, e como certos acontecimentos podem significar muito mais que uma vida inteira.

Utiliza a tumultuada paisagem de Tóquio, com uma direção de arte e fotografia muito bem empregada, com luzes perfeitas num colorido escuro que dialogam com a tristeza da trilha sonora e das situações da trama.

encontros-e-desencontros09

Por esse filme, Sofia Coppola ganhou o Oscar de Melhor roteiro original, e o filme concorreu ainda às três principais categorias (Melhor filme, melhor diretora e melhor ator).

Sofia prova neste filme que não é só uma filhinha de papai, prova seu talento e sua maturidade com diretora e roteirista. Vale à pena conferir, sem dúvida!

Amelie Poulain

Esse filme está na lista para esse blog desde o início, na verdade, este deveria ser o primeiro post do “Artista Cinéfila”, porém sempre tive um pouco de medo de não fazer juz ao filme.

O Fabuloso destino de Amelie Poulain (Le fabuleux destin dAmélíe Poulain, 2001) é um filme incrível, um universo mágico.

amelie-poulain04

O filme é diirigido por Jean-Pierre Jeunet, e conta a história fantástica de Amelie Poulain (Audrey Tatou) uma jovem que nasceu numa família estranha, sua mãe morre cedo, e ela é criada por um pai distante, que não lhe dá carinho e a deixa crescer isolada das outras crianças.

Quando cresce, Amelie muda para Paris, e trabalha como garçonete no “Le moulin”, vivendo uma vida sem grandes novidades, observando as pessoas ao seu redor, ao invés de viver.

No dia da morte da Lady Di, porém, um acontecimento muda sua vida. Amelie encontra uma caixinha com pertences de uma criança, que agora já era um adulto, jura encontrar o dono e promete que se a pessoa ficar feliz com a caixinha, ela mudaria sua vida.

O dono da caixinha ficou profundamente emocionado com a descoberta, e Amelie decide ajudar pessoas com pequenos gestos, sempre anonimamente… porém, ela também se descobre precisando de ajuda, ainda lhe falta algo…


O filme trás uma trama simples tratada de uma forma excepcional. A direção de arte e a fotografia é repleta de detalhes, cada personagem mostra um universo particular e aconchegante. Atrilha sonora, por Yann Tiersen, é igualmente muito bem empregada,  evoca a delicadeza da trama.

O filme recebeu 5 indicações ao Oscar, e várias outras…  sem dúvida, um clássico, um filme francês cult, que é acessível ao público,  ao mesmo tempo, um drama e uma comédia…

Por fim, um filme delicioso, inovador e cativante, que  pode (e deve) ser visto inúmeras vezes e a cada vez descobre-se mais detalhes e razões para se apaixonar pela Amelie, uma heroína única, que nos dá uma lição atraves de seus planos mirabolantes e de sua paixão…

Dançando no escuro…

Depois de muito tempo sem postar, resolvi escrever sobre um filme que anda na minha mente.

dancerdvdcover

Um filme muito bem feito, que eu adoro e que tinha visto a muitos anos e essa semana resolvi rever… o filme é “Dançando no Escuro” (Dancer in the dark), um filme de origem francesa, com a direção e roteiro pelo dinamarquês Lars Von Trier (Dogville), com a cantora islandesa Björk (Selma Jezkova), Catherine Deneuve (Kathy), Jean-Marc Barr (Norman) e Peter Stormare (Jeff) no elenco.

A história conta a saga de Selma Jezkova, uma mãe-solteira tcheca que foi morar nos Estados Unidos.

Selma tem uma doença hereditária que a faz perder a visão, algo que também deverá acontecer um dia a seu filho Gene (Vladan Kostig), um garoto de doze anos. Entretanto, em virtude de saber que existem médicos nos Estados Unidos que podem operar seu filho isto foi o suficiente para fazê-la imigrar para o país. Ela trabalha muito duro e guarda tudo o que ganha para a cirurgia do filho. Bill (David Morse) e Linda (Cara Seymour), seus vizinhos, juntamente com Kathy, uma colega de fábrica, a ajudam no que é possível, mas quando Bill se vê em dificuldades financeiras rouba o dinheiro que Selma tinha economizado duramente. Este roubo é o ponto de partida para trágicos acontecimentos.

O filme é tratado pelo diretor de uma forma quase “surreal”, as músicas substituem diálogos imaginários de uma forma única. Alguns críticos tratam o filme de Von Trier como “um objeto cinematográfico não identificado, que se interroga a cada passo e coloca em xeque seu público”.

Prêmios e indicações:

- Ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme e o prêmio de Melhor Atriz (Björk), no Festival de Cannes.
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Canção Original (Ive seen it all).
- Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Atriz em Drama (Björk) e Melhor Canção Original (Ive seen it all).
- Recebeu uma indicação ao Cesar, na categoria de melhor filme estrangeiro.

A trilha sonora é muito expressiva e forte, e no todo, o filmes, como um drama musical passa seu recado de maneira incrível… peguem os lencinhos!

Luiza

Megera Domada?????

Um filme dos primórdios da ”nova” comédia romântica de adolescentes do ano de 1999, 10 coisas que eu odeio em você foi dirigido por Gil Junger, com Julia Stiles e Heath Ledger (esse mesmo que você tá pensando…).

O filme se passa numa escola chamada Prada, Bianca (a menina popular) sofre por uma regra do seu pai, não podendo namorar até sua irmã mais velha namorar. Isso leva Cameron (apaixonado por Bianca) a armar uma situação em que acaba contratando o suposto “mau-elemento” Patrick (Ledger) para “desencalhar” Katharina (a irmã mais velha).

Kat, por sua vez, não quer nada com ninguém e é tida como uma megera no colégio, fazendo Patrick ter trabalho para conquistá-la.

Como dá para perceber, esse enredo do filme é bem familiar. Baseado na peça teatral de Shakespeare, A Megera Domada, com o texto adaptado para os dias atuais, fazendo várias referências à história original, como o local Pádua, que é a cidade onde se passa a peça original, e os nomes das irmãs (Bianca e Catarina).

O filme é ótimo, os atores estão bem a vontade nos personagens, o texto é delicioso e com certeza marcou minha adolescência, vale a pena conferir.

Beleza Roubada

Filme belo com atuações profundas do ano de 1996, dirigido por Bernardo Bertolucci com elenco como Liv Tyler, Joseph Fiennes e Jeremy Irons.

A história se passa em Toscana, onde Lucy vai visitar amigos de sua mãe e seu amor de infância, e também buscar informações sobre seu pai, já que depois da morte de sua mãe Lucy descobre lendo seus diários que é fruto de uma aventura na Itália.

Liv Tyler em seu início de carreira já mostra grande presença com uma delicadeza apurada e está belíssima no filme como protagonista.

O filme também mostra uma Toscana por uma visão dos artistas que vivem lá, um enredo muito poético e fotografia fantástica (afinal, é Toscana, né?).

Mesmo com algumas críticas desfavoráveis, o filme é tocante e profundamente sensível, com um clima agradável e um suspiro no final… vale a pena.

Modigliani – vida, obra e filme…

Pintor italiano, de religião judaica. De saúde frágil, Modigliane morre cedo, aos 36 anos de tuberculose, doença agravada pelo consumo exagerado de álcool e drogas.

Sua relação com a pintura era de inspiração, criava pinturas com estilo único, uma linguagem plástica metafórica onde transfigurava figuras que pareciam saídas do passado, as transformando em pinturas do repertório moderno. Modigliani raramente aceitava trabalhos encomendados, a contra gosto de seu marchand. Possui uma rivalidade com Pablo Picasso em meio à boemia, por conta de uma inveja mútua e pelas diferenças de estilo, rivalidade aumentada pela arrogância e talento de ambos.

Em vida não vende muitas obras, faz uma exposição individual, porém não é muito aceito pela repercussão negativa que causa por seus nus expostos na vitrine da galeria, permanecendo somente um dia.

Cria a partir de várias influências em estilo único, teve como musa Jeanne, sua esposa, católica, que conhece em uma aula de desenho e com quem tem uma filha. A família de Jeanne não aceitava sua relação com o pintor por causa da religião de Modigliani e também de sua condição financeira e hábitos, culminando até em um dia seu pai colocar sua filha em um orfanato longínquo.

A partir desse fato, Modigliani, alcoolizado, se inscreve no Salão anual, ato que comete contra a vontade já que é orgulhoso e não aceita que tenha que participar de uma competição como qualquer pintor medíocre, porém, necessitava do prêmio em dinheiro para trazer de volta sua filha. Sua inscrição no salão inspira seu rival Picasso a se inscrever.

A vida de Modigliani foi de muito sofrimento, perturbações, tragédias, várias dificuldades, e quando ganha o prêmio no Salão Anual, morre. E, sua amante e mulher Jeanne, não consegue segui com seu sofrimento e tira a própria vida, grávida de nove meses.

Em 2004, Mick Davis dirigiu um filme sobre a vida de Modigliani, representado por Andy Garcia, numa excelente atuação. O filme com ótima fotografia e muita carga emotiva mostra a arte, o amor e a tragédia da vida do pintor e sua relação com os outros artistas da época em Paris.

Cinema Paradiso

Cinema Paradiso, um filme italiano de 89, dirigido por Guiseppe Tornatore, com elenco como Antonella Attili e Leopoldo Trieste. O filme conta a trajetória desde a infância difícil, passando pelos problemas da adolescência, até a maturidade de Salvatore di Vitto (Toto), que se apaixona pelo funcionamento do cinema e convense Alfredo (que trabalha desde sempre com a projeção) a deixá-lo aprender a projetar filmes, tornando-se grandes amigos.

A história se passa em uma Itália pós-guerra, na pequena cidade de Giancaldo. Um lugar onde todo mundo se conhece e a única atração restante é o velho Cinema Paradiso, aonde todos vão aos finais de semana para se divertirem um pouco e esquecerem seus problemas e diferenças, já que o cinema é frequentado desde os mais ricos aos mais pobres.

O filme não possui somente uma história tocante e de personagens sinceros e bem desenvolvidos. As tomadas são muito bem filmadas e o roteiro foi muito bem escrito, mostrando um ambiente simples, mas ao mesmo tempo rico em enredo e em personagens, mesmo os coadjuvantes.

Separem os lencinhos, uma história simples e comovente que mostra como é importante ter paixão pelas amizades e também pela arte. Fica o trailer…

« Entradas antigas